Grandes Brasileiros da Atualidade: Seu Peruca



Se Jesus fosse uma pessoa para você ligar e passar um trote, ele seria o Seu Peruca – uma figura mais do que épica na cidade de Campinas nos anos 90 do século passado. Funcionava mais ou menos assim, você discava o telefone dele e quando ele atendia você pedia para falar com o “seu peruca”. O sujeito ficava puto, xingava cinco gerações familiares suas, te ofendia tanto que era impossível não desligar o telefone. Depois ria e queria um pouco mais, só que depois de atender uma ligação, Seu Peruca não respondia outra e você ficava umas 4 horas sofrendo abstinência e tentando ligar de novo só para chamá-lo de “seu peruca”. Todo mundo tinha o número dele e compartilhava experiências sobre o velho. Em 1996 sua popularidade era tão grande que recebeu um trote vindo da Grécia.

Alguns meninos com mais habilidade e menos ansiedade conseguiam até não chamá-lo de “seu peruca” e até desenvolviam conversas com o homem. Esses garotos lendários descobriram informações preciosas sobre o Seu Peruca, como os horários em que ele assistia televisão e não atendia o telefone. Uma vez economizei uma semana no lanche da cantina só para ter dinheiro para comprar uma tabela com os melhores horários para se ligar para o homem – sei bem que poderia simplesmente não chamá-lo de “seu peruca” e tentar descobrir por mim mesmo, mas um impulso interno me impedia de fazer isso; eu sempre queria ver o homem ficar puto o mais logo o possível. Esses meninos também descobriram fatos sobre a vida privada do Seu Peruca, como seu nome que é Iguaracy; que ele era ex-faxineiro do Guarani, mas torcia para a Ponte Preta; ou que ele tem um cachorrinho poodle com problema nas patas dianteiras – quando se fala do cachorrinho, ele fica especialmente sensibilizado. Mas é claro que essas informações foram utilizadas para fazermos o pior e potencializar o grau de irritação desse grande sujeito.

O que ninguém nunca soube é se de fato o homem tinha uma peruca. O Jonas, amigo meu, disse que ele só era calvo e por isso se ofendia tanto. Já o Lucas, que ele tinha o cabelo pintado e por isso parecia uma peruca. Até meus avós discutiam o assunto. O Segundo Caderno do “Correio Popular” publicou uma página inteira com Sandy Júnior comentando o assunto. No fundo, não importa, é bom chamá-lo de “seu peruca”, recomendo que você mesmo tente: (19) 3276 2726. Aliás, vou ligar para ele agora.

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