Por uma tevê de qualidade

Parte 1/2: o telejornalismo

Uma tevê de qualidade.

O mundo é uma bola, a mesma bola de sempre, mas o mundo muda, ora bolas, e muda cada vez mais rápido atingido por criaturas microscópicas que se espalham e tramam coisas na sua epiderme. A televisão, que há pouco era novidade, hoje clama por inovação, para não ficar para trás na marcha dos tempos. Quanto mais absurda e menos inteligente, mais inovadora é a televisão ou é qualquer coisa.

A programação da tevê deve ser como um tumor benigno, de maneira que consuma todos os pensamentos do telespectador, mas sem em nenhum momento levá-lo a óbito (o que até hoje é irreversível). A tevê deve canalizar nossos medos para coisas distantes, mas deve também nos confortar dizendo que é uma boa época para se beijar na boca. Portanto, um telejornal deve dar notícias ruins mas nem tanto e, é claro, deve entreter. O entretenimento pode surgir por meio de flatulências ocasionais para o Youtube, o que é responsabilidade do âncora, mas também da produção do programa, que deve abastecer com repolho os bastidores.

Há pouco no Brasil, ou em algum outro país, um executivo de uma rede de televisão sugeriu a ideia de um telejornal de auditório. O auditório seria repleto por homens desesperados, vagabundos sem moradia encontrados nas calçadas ou ameaçando se jogar de edifícios. Esses homens, ao soldo de 12 reais e um lanche, tomariam assento (e/ou banho), vibrariam efusivamente durante as notícias do esporte e chorariam existencialmente com as tragédias do mundo, tudo para passar a mensagem com mais força ao público. Não é mentira, ainda que não haja garantia alguma de que seja verdade, que quando o executivo deu essa ideia numa reunião da emissora, um colega retrucou: “Francamente, que ideia estúpida”. O executivo entristeceu-se, mas o presidente da emissora emendou: “Estúpida como o nosso público”, avançando decidido para cumprimentar-lhe a mão.

Um aperto de mãos. Use essa imagem na sua próxima apresentação em Power Point. Vai ser super original! Ora, vamos!

Sim, o presidente não cumprimentava as pessoas por meio de um aperto de mão: ele cumprimentava a própria mão das pessoas, o que não fazia muito sentido. Ele tinha alguma espécie de fetiche bizarro, e inconfessável, com mãos humanas. Às vezes, na privacidade com sua mulher, gostava até de falar sacanagem, coisas como “Uma mão lava a outra”, mas não era esse o caso. Todos continuariam acreditando que seu firme aperto de mãos, que lhe alavancara tamanho sucesso nesse interessante ramo da cultura humana, era apenas sinal de educação. Quando o presidente finalmente soltou a mão do executivo, já não lembrava qual a ideia brilhante que tinha acabado de aprovar. Disse apenas: “Parabéns pra você. Muitas felicidades”. Era lelé da cuca, mas tudo bem, era somente o presidente de uma rede de televisão.

Trocando em miúdos, telejornais não tem muita graça mesmo, tampouco esse texto chinfrim, porém ainda essa semana discutiremos ideias inovadoras na teledramaturgia, e vai ser muito mais legal! Aguarde!

 

 

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