O insustentável pesar do ser

Ao despertar de uma noite de sonhos inquetantes, Tomás percebeu que havia se transmutado num gordo. Tereza já reclamava há tempos das gorduras de Tomás, mas ela é sua mulher e ia sempre reclamar. O problema mesmo foi quando Sabina, a amante, lhe deu um pé na bunda.

Ah! A gordura e a magreza!  Ah! A leveza e o pesar…

Tomás ficou reflexivo e foi dar umas voltas pelas ruas de Praga. Voltas mesmo, porque, de tão gordo, não caminhava mais, apenas rolava em torno de seu próprio eixo. Ele rolou, rolou e rolou até uma pastelaria chinesa e pediu um pastel de frango com muito catupiry e uma porção de batata fritas com dose extra de gordura – só pra complementar o recheio do pastel.

A gordez é tão melhor que a magreza. O homem gordo tem gordura, e o magro não tem nada. O peso impõe respeito. A leveza te permite, no máximo que você seja arremessado por um amigo gordo. O homem que sofre de magritude, quando de frente, parece estar de lado; e quando de lado: some! O gordo não, o gordo está sempre presente e impõe respeito. A magreza é desonrada. A gordura, gloriosa. Nelson Rodrigues dizia que “todo canalha é magro”. A magreza faz o homem ser ossudo: espeta suas amantes. Já a gordura se assemelha ao mais macio dos sofás que já existiu na terra: conforta as amantes. Tereza tinha um fetiche em socar a barriga de Tomas e ver as ondulações da gordura se propagarem pela enorme barriga até onde a vista alcança. Já Sabina se deliciava nadando dentro da barriga de Tomás. Ela dizia com muito amor e humor que a barriga de Tomás era como uma “piscina de bolinhas de uma bola só com vários pneus”.

Mas realmente parecia que o que era diversão virou maldição e a barriga começou a incomodar tanto Sabina quanto Tereza. Enquanto curtia a gordura de seu pastel, pensava em como se livrar daquele monte de banha.  Pensava também em como a gordura tem um poder mágico de dar alegria as pessoas.

Eis que adentra o recinto um caixeiro-viajante fantasiado de barata que lhe vende um regime mágico à base de maçã.

Sua vida passou a ter menos açúcar, gordura, sal e álcool. Seu colesterol melhorou. Ele parou de rolar e começou a caminhar de volta. Tereza estava agora sempre sorridente. Só que Sabina não voltou.

Moral da história: a magreza e a gordice podem trazer alegrias e tristezas, mas o pesar do ser será sempre insustentável!

7 respostas para O insustentável pesar do ser

  1. Caio Mello disse:

    Todo canalha é magro e todo Zaga é gordo! Gordo demora pra se levantar pq fica q nem uma tartaruga de costas.

  2. Beatriz disse:

    Adorei esse site, mas eu gosto de comer muito chocolate.

  3. à milanesa disse:

    Em Sorocaba Sabina é o nome de uma padaria…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: