A teoria do cão skatista


Desde as minhas primeiras reflexões acerca do papel e da importância da internet para a sociedade contemporânea, defendo uma polêmica tese, que apelidei de “A teoria do cão skatista”, segundo a qual um vídeo no Youtube, intitulado sugestivamente Skateboarding Dog, é o documento mais importante já registrado na rede mundial de computadores. Nesse artigo, pretendo expor os pontos básicos desta teoria e explicar como o talento fenomenal de um só cachorro pode ser vital para o funcionamento de todas as engrenagens sociais que sustentam a civilização como a conhecemos.

Seria possível citar inumeros sociólogos para confirmar essa tese, havendo apenas dois pequenos entraves: a) não leio livros de sociologia; e b) sociólogos não costumam se debruçar sobre assuntos tão desimportantes. Ignorando, portanto, os academicismos, podemos começar pelas constatações inevitáveis da globalização e do chamado efeito borboleta, indo em seguida para a demonstração de que o Cão Skatista é condição sine qua non para a manutenção da estabilidade de uma sociedade pós-moderna.

A globalização, para os que ainda não foram apresentados, é o processo segundo o qual as culturas, sociedades e economias mundiais se aproximam – muito embora, como lembram os cartógrafos, os países permaneçam nos mesmos lugares, ou quase. Daí decorre que as reações de causa e efeito tenham se desconectado geograficamente, e as bolsas de Milão, Tóquio ou Nova Iorque estejam diretamente relacionadas à quantidade de dinheiro dentro da bolsa da sua esposa. Estranho, porém verdadeiro.

Observam-se constantemente, no mundo considerado globalizado, eventos e reações desproporcionais, ligados apenas por uma estreita cadeia de causa e efeito. Essas ocorrências foram associadas ao fenômeno já antes denominado efeito borboleta, segundo o qual o bater de asas de uma borboleta no oeste da Ásia pode gerar um furacão na América Central. Verificou-se também, de forma um pouco mais óbvia, que um furacão na América Central pode gerar a destruição de um montão de coisas na América Central. O mesmo furacão, ainda, seria capaz de gerar uma borboleta no oeste da Ásia, mas jamais de criar dinheiro dentro da bolsa da sua esposa. Estranho, e não tão verdadeiro assim.

Se supormos, para fins analíticos, que o Skateboarding Dog não está na América Central, ou que essa borboleta permanecerá quieta por tempo suficiente para que o cão ande de skate, que o vídeo seja gravado e colocado na internet, então faremos logo em seguida a constatação inevitável de que, mostrasse esse vídeo uma borboleta andando de skate na Ásia ocidental, a América Central estaria completamente fodida.

Ainda que essa masturbação mental não tenha sido capaz de explicar claramente a Teoria do Cão skatista, ou que os argumentos de dedução simples não tenham sido suficientes para convencê-lo da importância do Skateboarding Dog, um fato é inegável: CARA, É UM CACHORRO ANDANDO DE SKATE!

Confira você mesmo, clicando aqui.

4 respostas para A teoria do cão skatista

  1. Enzo disse:

    Você se surpreenderia com os assuntos sobre os quais os sociólogos nos debruçamos…

    Uma pergunta: se um cachorro skatista é capaz de influenciar fenômenos de naturezas tão diversas pelo mundo, quais as consequências de uma possível batida da carro cujo motorista seja um cachorro que não usa cinto de segurança?

    Cataclisma mundial, com certeza!

  2. Enzo disse:

    errata: cataclismo.

  3. Martinho Hoffman disse:

    A primeira consequencia, pra mim, foi aprender que o correto é cataclismo, e não cataclisma. Talvez, no fim das contas, não seja tão ruim assim…

  4. Enzo disse:

    canalha.

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