Caro Mauricio,


Gostaria de sugerir uma historinha em que a turma apronta uma armadilha e o Cascão finalmente toma banho. Que tal?

Júnior – Piracicaba, SP

Você certamente já viu cartas como essa. Elas brotavam maliciosamente como joio em meio ao trigo suave e revigorante das histórias vividas por Mônica, Cebolinha, Magali e o tão insistentemente ameaçado de higiene pessoal forçada, Cascão.

Imprudentes e fantasiosas, as missivas ocupavam uma, às vezes duas das já não tão numerosas páginas daquelas que eram as revistas infantis mais presentes e bem-vindas em cestinhos de banheiro. Povoadas com sugestões banais, repetitivas ou estapafúrdias, as epístolas eram sempre respondidas com paciência pelo próprio Mauricio de Sousa. Ou pelo menos era isso em que acreditava o Júnior, de Piracicaba.

Caro Júnior,

O resto da turma adorou a sugestão, mas parece que o Cascão não gostou nada dessa história. O certo é que, se isso realmente acontecer, vai rolar briga até debaixo d’água, não é mesmo?

Um abraço,

Mauricio

Outro padrão de carta patologicamente comum fazia menção a um relacionamento amoroso extremamente improvável.

Caro Mauricio,

Pensei numa historinha em que a Mônica e o Cebolinha se apaixonam e começam a namorar.

Cleidilene – Conchas, São Paulo


A resposta padrão você já conhece. Aqui está a resposta que realmente gostaríamos de ler:

Caro clichê ambulante,

Gostamos tanto do seu excremento textual que já guardamos no local apropriado, juntamente com panfletos de campanha para a eleição de George W. Bush, livros de Paulo Coelho e as outras 338 cartas identicamente patéticas que recebemos diariamente. É onde guardamos todo tipo de ideia idiota com que esbarramos nesse intervalo lamentável que chamamos de vida.

Um abraço,

Equipe de Marketing da Editora Globo

Algumas das cartas eram ainda mais impressionantes, por carecerem totalmente da lógica simples e começarem em nenhum lugar e chegarem a lugar algum. Um exemplo,

Gostaria de sugerir uma história em que a turma joga futebol no Campinho.

Deivid – Sapiranga, RS

Virando noites sem sono, Mauricio de Sousa – era o que o Deivid espalhava para seus amigos em Sapiranga – respondia estoicamente a cada um dos disparates enviados, com paciência monástica e a delicadeza de uma orquídea. Jamais, no entanto, os irracionais textos recebiam uma resposta (coerente com seu grau de relevância) como a que segue:

Caro Neandertal,

Espero que a falência cerebral da qual você certamente padece não o impeça de apreciar a ironia existente no fato de que CADA UMA DE NOSSAS REVISTAS, SEM QUE JAMAIS TENHA HAVIDO EXCEÇÃO EVENTUAL EM TODOS ESSES ANOS, CONTÉM EXATAMENTE O FATO SUGERIDO PELA SUA MENTE ATROFIADA.

Por favor, canalize seu potencial criativo para algo mais original, como misturar arroz com feijão ou, num rompante de genialidade, andar para a frente.

Abraços,

Alguém que não é o Mauricio, não escreve as histórias e, de forma geral, não se importa com suas opiniões, desejos e sentimentos.

FIM

7 respostas para Caro Mauricio,

  1. Cebola disse:

    Caro Martinho, pensei num texto em que você falasse sobre macacos e outros símios, e também que você tomasse banho. Que tal?

    • Martinho Hoffman disse:

      Caro Cebola,

      A turma adorou a sua sugestão! Já estamos elaborando uma extensa lista de símios, incluindo a sua mãe. Aposto que essa macaquice vai terminar em muitas coelhadas, não é mesmo?

      Atenciosamente,
      Martinho Hoffman – Equipe de Marketing do Blog do Covil

  2. Spam disse:

    Gostaria de sugerir uma história em que a turminha tirasse sarro de minorias, de uma forma geral. Obrigado.

    • Martinho Hoffman disse:

      Caro internauta incapaz de revelar a própria identidade,

      Dessa vez quem gostaria de sugerir uma história sou EU. Nessa história, a turminha não apenas tira sarro de você, como o acorrenta a uma árvore aplicando técnicas de tortura medieval.

      Infelizmente, contudo, andei checando e “anônimos de internet” não são uma minoria, muito pelo contrário.

      Um grande abraço,
      Martinho Hoffman – Soropositivo

  3. Linoca disse:

    Hahahah! Só vc mesmo, Martinho!! Pior que em praticamente todas as revistinhas tinha nego sugerindo o Cascao tomar banho. Sabe que a Elaine é colecionadora de revistinha da Monica ne. Desde que a conheço (e poe aí uns 21 anos), ela assina! hahaha

  4. Enzo disse:

    Não passou despercebido a menção às “revistas infantis mais presentes e bem-vindas em cestinhos de banheiro”.

    Caro Martinho,
    sugiro uma historinha em que você envia uma carta cretina, mas interessante; zé buceta, mas gente boa, ao Mauricio de Sousa.

    Att,
    Enzo

    • Martinho Hoffman disse:

      Caro amigo com prisão de ventre,

      Você parece muito habilidoso em escrever cartas cretinas. Já pensou em tentar você mesmo?

      A turminha aguarda ansiosamente a sua tentativa.

      Atenciosamente,
      Martinho Hoffman – Gente boa, mas zé buceta

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