O casamento de Silas e Jair

23/03/2013

Uma dúvida que sempre me atordoou, para a qual não tenho resposta, acaba de ficar ainda mais forte: o que aconteceria se Silas Malafaia e Jair Bolsonaro fossem unidos pelo sagrado sacramento do matrimônio?

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É uma questão hipotética em muitos níveis, e por muitas razões. Uma delas, nada inflexível: a respeitabilidade desses ilustres cidadãos, que jamais tomariam parte em práticas que vão contra a família tradicional (falaremos mais sobre essa instituição em breve).

Jair e Silas nem cogitariam uma ideia tão descabida – exceto, é claro, por um motivo grandioso e nobre. Cuidar de um filho, quem sabe. Mas, no ano 2013, ainda é uma impossibilidade biológica gerar um ser humano a partir dos cromossomos de dois espécimes do mesmo sexo (qualquer que seja sua orientação sexual, posição política ou crença religiosa).

Felizmente, impossibilidades científicas quase sempre se mostram falsas com o passar do tempo. Certezas da ciência são infinitamente mais efêmeras que convicções religiosas baseadas em leis estabelecidas pelo Criador do universo. Por isso, foquemos no problema da família tradicional.

Não estamos falando aqui de famílias tradicionais como os Marinho ou os Sarney, menos ainda dos Romney ou Kennedy, mas da abstração de uma família nuclear representativa da moralidade cristã, composta por um marido fértil, uma esposa fecunda e um número n de filhos, onde n pertence aos números naturais maiores que zero.

INSEMINAÇÃO – Malafaia e Bolsonaro fazem parte de um grupo numeroso, honroso e influente da população brasileira: os homens cristãos, filósofos capazes de demonstrar por argumentos lógicos que homossexuais se beijando são uma coisa imoral, feia, de tirar o apetite e, francamente, muito baixo-astral. Nenhum dos dois consentiria, portanto, com a inseminação artificial, em uma barriga de aluguel, de um embrião criado em laboratório a partir de seus DNA’s de mesmo sexo. Na verdade, a maior parte dos homens cristãos tem arrepios apenas de ouvir as palavras “inseminação artificial”, “barriga de aluguel”, “embrião criado em laboratório” ou “mesmo sexo”.

Mesmo com todos esses pequenos entraves práticos, não consigo deixar de me perguntar o que aconteceria se alguém tivesse capacidade e intenção de realizar essa proeza, a mando de um dos perigosos ativistas homossexuais que dia a dia agridem moral, psicológica e teologicamente a família tradicional. Imagino que subornariam os cabeleireiros do deputado e do pastor, usando grandes quantias de dinheiro fornecidas pela mídia secular pró-gay, para conseguir uma mecha de cabelo contendo seu material genético. São articulados e perigosos, esses homossexuais.

Não há necessidade de mencionar as reações e processos físico-químicos necessários para constituir o pequeno embrião, tampouco os inúmeros procedimentos médicos por que passaria a mãe de aluguel – Preta Gil, quem sabe – para implantá-lo em seu útero. É mais interessante imaginar o que fariam os protagonistas desse meu delírio de ficção científica ao saber que a inseminação já havia sido realizada.

REVOLTA – Visualizo o seguinte: ambos procurariam seus assessores jurídicos e tomariam as providências adequadas para impedir a calamidade. Jair Bolsonaro provavelmente ficaria vermelho de raiva e diria palavrões – bem justificáveis – no plenário do Congresso, contra essa filha depravada de cantor maconheiro. Silas Malafaia argumentaria eloquentemente em seu programa de televisão, pedindo aos fiéis que orassem para que a trama maligna não fosse bem sucedida.

Mas orar, até onde se sabe, não tem o poder de impedir o desenvolvimento de um feto no útero humano. Caso contrário, as igrejas ficariam cheias na quarta-feira de cinzas. Não ficam. Por isso, a abstração que chamamos de família tradicional brasileira seria obrigada a assistir, perplexa, à gravidez antinatural de Preta Gil.

Aqui, os ânimos de Silas e Jair se deixariam abater por um breve instante. As chances de lutar contra a aberração pareceriam escassas, já que as células implantadas com sucesso teriam se tornado, de acordo com a compreensão dos homens cristãos, um ser humano. Seres humanos têm direitos assegurados pela Constituição. Homens cristãos, via de regra, são contra o aborto (de seres humanos ou de células, especialmente as células que compartilham seu DNA).

(Vale lembrar também que o DNA compartilhado é considerado um vínculo muito importante entre seres humanos, especialmente os seres humanos cristãos.)

Aquelas células, ainda que fruto do pecado e da perversão, seriam disputadas por todos os envolvidos. Durante os meses seguintes, esse seria o assunto preferido nas mesas de bar. A batalha judicial pai versus pai versus mãe pela guarda seria transmitida ao vivo. Jair, Silas e Preta debateriam o drama no Roda Viva e em Casos de Família. Rafinha Bastos faria uma piada não muito engraçada e parcialmente homofóbica sobre o caso, mas isso não seria surpresa para ninguém.

Nascimento – A surpresa de verdade viria durante o parto da criança: devido a complicações cirúrgicas (alguns diriam punição divina), Preta Gil morreria após o parto. Me desculpe, Preta, não é pessoal. Ela conheceria o filho por tempo apenas suficiente para beijá-lo, batizá-lo com algum nome escandaloso de maconheiro comunista, como Glauber, e derramar uma lágrima solitária.

A comoção seria generalizada. Reportagens especiais seriam transmitidas o dia inteiro na televisão. Os direitos da história seriam comprados pela Globo Filmes para um longa com Dira Paes no papel principal. A opinião pública se dividiria e a decisão final caberia a Joaquim Barbosa. Que, em defesa da família nuclear, daria aos pais a opção de criar o filho juntos, na mesma casa, ou não criá-lo.

Perplexos, Silas e Jair discutiriam a questão. Por fim, mesmo não acreditando na capacidade de dois homens de criar um ser humano sadio, aceitariam morar na mesma casa e educar Glauber no caminho da moralidade e da palavra de Deus.

Os dois não se sentiriam à vontade de início, mas logo enxergariam no outro várias das qualidades que admiram em si mesmos. Ambos são homens cristãos, direitos, conservadores, tementes a Deus, ambiciosos, idealistas, obstinados. Em suas conversas, jamais faltaria assunto ou pontos de concordância. Uma grande amizade surgiria dessa proximidade.

E talvez, um grande amor.

AFETIVIDADE – A calvície e as grossas sobrancelhas de Silas começariam a aparentar para Bolsonaro o carismático charme da sabedoria e da paternalidade, mas também a força da masculinidade. Os cabelos grisalhos e o ar preocupado de Jair fariam com que Malafaia respirasse fundo de vez em quando, sem entender o porquê. Não vou entrar em mais detalhes, mas aconteceria um monte de viadagem.

Malafaia decidiria casar em sua própria igreja, sendo ele mesmo o ministro da celebração. Bolsonaro entraria de grinalda (mas não sei explicar o porquê). Jean Wyllys e Laerte seriam os padrinhos.

Da união, surgiria um lar harmonioso. Glauber seria criado  com carinho por seus pais, dois homens mais satisfeitos com a vida, mais compreensivos, conhecedores de si mesmos, felizes um com outro e com o fruto da junção de seu material genético. O menino cresceria bonito, com os olhos azuis do pai e o nariz imponente do pai. Mais do que isso, seria um rapaz inteligente e articulado, de eloquência extraordinária, forte carisma e caráter irredutível. Motivo de grande orgulho.

Mas a sisudez viria para o menino, e, num trágico dia, a paz no lar dos Malafaia-Bolsonaro seria interrompida por um comunicado que inundaria a casa como as trombetas do apocalipse. Sério como Jair, minucioso como Silas, Glauber explicaria ter chegado, por a mais bê, à conclusão inabalável de que havia sido criado num ambiente de pecado e vergonha. Ainda amava os pais, mas não aceitava seu estilo de vida, e acreditava que poderiam se regenerar. Enquanto isso não ocorresse, sairia de casa para perseguir seus próprios objetivos.

Iria fundar uma religião e concorrer a um cargo político.


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